Google: pedir consentimento ao usuário para ‘tudo’ seria ‘trabalhoso’

Para o Google, dar aos usuários a opção de fornecer ou não dados pessoais para cada aspecto individual de um serviço online pode ser muito “trabalhoso”. “O controle individual sobre o processamento de dados deve ser aplicado onde quer que seja razoavelmente oferecido”, avalia a empresa.

Essas declarações constam em um pedido encaminhado ao governo da Austrália para a revisão do Ato de Privacidade – o equivalente deles à nossa Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). No documento, o Google afirma acredita que os indivíduos não devem ser penalizados por exercer seus direitos de privacidade, mas reforça que algumas opções oferecidas aos usuários podem afetar a capacidade de uma empresa de gerar receita.

A lei atual exige apenas que empresas e organizações forneçam mecanismos apropriados para controle individual – sem exigir um consentimento específico ou alternância para cada uso de dados. O Google disse que inserir tal requisito pode prejudicar a experiência do usuário, além de criar uma “fadiga de consentimento”.

“Em muitos casos, o processamento de informações pessoais é necessário simplesmente para operar o serviço solicitado pelo usuário”, explica a empresa. “Exigir que os indivíduos controlem cada aspecto do processamento de dados pode criar uma experiência complexa que desvia a atenção dos controles mais importantes sem os benefícios correspondentes”, completa.

A legislação está sendo revisada pelo procurador-geral da Austrália, Christian Porter, como parte de uma investigação de órgãos federais sobre práticas de proteção de dados das empresas. O novo Ato de Privacidade ainda terá que ser compatível com a regulamentação feita na Europa, especialmente o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).

“[Nós] exortamos o governo a pensar com clareza sobre a questão de sob quais condições as empresas e organizações podem tornar os serviços dependentes da aceitação do usuário de algum processamento de suas informações pessoais”, escreveu o Google no seu documento, enviado à procuradoria-geral.

Os indivíduos não devem ser penalizados por exercer seus direitos de privacidade, mas algumas opções oferecidas aos indivíduos podem afetar a capacidade de uma empresa de obter receita e até mesmo a viabilidade financeira de produtos e serviços que são de tremendo benefício para os usuários e para a sociedade”, afirma a empresa.

Fonte: Olhar Digital

Postado em 20 de janeiro de 2021